A pergunta deixou de ser “dá para usar IA na landing?”. A pergunta certa é em qual etapa ela acelera sem comprometer a conversão. Na Seventy, tratamos geração automática como apoio de produção. Ela não substitui briefing, prova verificável nem medição.
Uma landing existe para uma oferta, um público e uma ação. Se esses três pontos estão frouxos, gerar dez variações de texto só multiplica a mesma falha. O passo a passo abaixo é o que usamos para não cair nessa armadilha.
1. Briefing antes de abrir a IA
Sem briefing escrito, a ferramenta inventa. Peça ao time (ou ao cliente) respostas curtas e concretas:
- Oferta em uma frase. O que a pessoa recebe e em quanto tempo. Ex.: “Landing de matrícula para curso noturno, com prova gratuita na primeira aula.”
- Quem é o visitante. Cargo, dor principal e o que já tentou.
- Origem do clique. Meta Ads, Google, indicação, orgânico. Isso muda tom e prova.
- CTA único. WhatsApp, formulário ou agenda. Um caminho só.
- Limites de promessa. O que não pode afirmar (preço, prazo, resultado garantido).
Pronto quando: dá para explicar a página em 30 segundos sem abrir o Figma. Se ainda houver “a gente resolve tudo”, volte ao briefing.
2. O que a IA faz bem (e como pedir)
Com o briefing acima colado no prompt, a IA costuma acelerar exploração, não decisão final:
- Três a cinco headlines a partir da proposta de valor
- Variações de subtítulo e CTA para a mesma oferta
- Esqueleto de seções: hero, prova, passos, FAQ, fechamento
- Lista de objeções possíveis para o FAQ
Peça sempre: “use só os fatos do briefing; marque com [CONFIRMAR] qualquer número, prazo ou depoimento que não esteja no texto.” Isso reduz alucinação.
IA boa acelera o rascunho. Estratégia boa decide o que merece ir ao ar.
Evite: pedir “escreva uma landing completa e convincente” sem restrições. O modelo preenche buracos com genérico e, pior, com prova inventada.
3. Revisão humana obrigatória
Antes do design, uma pessoa responsável passa um pente fino. Checklist mínimo:
- Todo claim tem fonte (site, CRM, case real) ou foi removido.
- Nome do produto, preço e prazo batem com o comercial.
- A mensagem da página ecoa o anúncio ou o criativo que trará o clique.
- Depoimentos têm nome real e autorização; números redondos demais foram questionados.
- CTA único e visível no mobile sem menu que dispersa.
Se o clique promete A e a página fala B, a conversão cai mesmo com copy “bonita”. Alinhar anúncio e landing é trabalho humano, não da ferramenta.
4. Fluxo até o ar
- Estrutura. Confirme se o caso é landing ou site institucional. Se ainda houver dúvida, leia site institucional e landing page.
- Copy revisada. Só então entra layout. Hero leve, prova perto da oferta, FAQ honestos.
- Código com prioridade mobile. Imagem do hero comprimida, CTA fixo ou claro, formulário ou WhatsApp testados no iPhone e no Android.
- Tracking no mesmo dia. Evento de lead ou clique no WhatsApp validado antes de ligar a campanha.
- Teste depois, não antes. Só rode A/B de headline quando a base estiver estável e a medição confiável.
Pronto quando: um colega externo entende a oferta em menos de 10 segundos e consegue completar o CTA sem perguntar “e agora?”.
5. Quando não usar IA (ainda)
Adie a geração automática se:
- O mercado ou a oferta ainda estão indefinidos
- Não há prova social nem histórico de campanha para ancorar o texto
- Há risco jurídico alto (saúde, financeiro, garantia de resultado)
- O time não tem alguém para revisar fatos antes do publish
Nesses casos, a pressa custa mais que o tempo economizado. Use IA para acelerar produção quando a estratégia já existe. Mantenha verdade e medição no time. É assim que a landing deixa de ser “texto gerado” e passa a ser página de resultado.